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Ex-prefeito Alexandre Félix rebate discurso polêmico de Aristeu Eduardo e repudia ataque a religiões de matriz africana

Ararendá, CE – 02 de outubro de 2025

Uma fala do atual prefeito de Ararendá, Aristeu Eduardo, durante a inauguração de uma praça na localidade de Barriguda, no último dia 30 de setembro, gerou intensa repercussão regional, estadual e agora nacional. Em discurso inflamado, o gestor afirmou que “tem a escrita do ex-prefeito Alexandre Félix, que é quem tá organizando esse grupo… uma mãe que tem dois pagão, dois marmanjos com mais de 20 anos… Esse povo que se passa por bem de manhã, na frente da sociedade e à noite, vai bater tambor nos terreiros de macumba”.

As declarações, amplamente compartilhadas nas redes sociais e posteriormente repercutidas por veículos de imprensa de todo o país, foram classificadas como preconceituosas e ofensivas por entidades civis, lideranças religiosas e figuras políticas.

O ex-prefeito Alexandre Félix, citado diretamente na fala, se manifestou por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais, em que rebateu as acusações e criticou duramente o discurso do atual gestor:

“O que vemos no nosso município é o prefeito procurando apontar culpado pelos seus próprios erros, além de fazer ataques mentirosos sobre minha pessoa, o senhor prefeito foi totalmente desrespeitoso em face as pessoas que seguem a religião de matrizes africanas, disseminando preconceito! Deixo meu total repúdio a esse discurso e minha solidariedade e respeito a todos que foram atacados através da fala do prefeito de Ararendá”. Declarou, Alexandre Félix.

O vídeo rapidamente ganhou apoio popular, com manifestações de solidariedade ao ex-prefeito e, principalmente, às comunidades de religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, historicamente alvo de intolerância religiosa.

Repercussão nacional e internacional

A gravidade das declarações levou o caso a ser destacado por grandes emissoras de televisão, rádios e portais de notícias do Brasil, sendo também comentado por organizações de direitos humanos. O discurso é considerado por especialistas como um exemplo claro de discurso de ódio e intolerância religiosa — condutas vedadas pela Constituição Federal.

Movimentos sociais e coletivos religiosos anunciaram que devem formalizar representações junto ao Ministério Público do Estado do Ceará e ao Ministério dos Direitos Humanos, pedindo investigação e responsabilização do prefeito por incitação à intolerância religiosa.

Prefeito ainda não se pronunciou

Até o fechamento desta matéria, o prefeito Aristeu Eduardo ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso, nem emitido qualquer retratação pública. O silêncio do gestor tem sido alvo de críticas e pode agravar ainda mais a crise política e social gerada após o episódio.


Este é um episódio que reforça a urgência de um debate mais profundo sobre respeito, diversidade e os limites do discurso público por parte de autoridades eleitas. A liberdade religiosa é um direito garantido pela Constituição e deve ser defendido por todos os cidadãos — especialmente por aqueles que ocupam cargos públicos.

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